Aquele abraço...
Eu não me lembro exatamente qual foi o primeiro que me marcou. Tenho a lembrança do meu pai apontando na esquina de casa ao voltar do trabalho. A corrida simples de uma criança, o pulo no colo, e o abraço apertado com sorriso de você chegou. O motivo para essa cena quase rotineira é que no início dos anos 90 morávamos na Zona Leste paulistana. Já nessa época, eu ouvia as notícias dos pais que saíam para trabalhar, mas que jamais voltavam para casa por conta da criminalidade. Os homens que assaltavam me assustavam. O abraço que na minha imensa força de um pivete de meio metro (não cresci muito desde então) deveria ser esmagador, na verdade não passava de um afago para o meu pai. E era nesse ato que eu encontrava a forma correta de mostrar que ele era importante pra mim. Não cresci distribuindo abraços. Eles foram se tornando escassos. O contato corporal nunca foi o meu forte para demonstrar afetividade. Um simples aceno de cabeça era o suficiente para cumprimen...