Guerra de pensamentos
A sociedade está em guerra. Batalhas ferrenhas são travadas todos os dias. Mas, ao contrário de épocas distantes, os entraves atuais acontecem digitalmente, por nós, pessoas comuns blindadas por escudos em formato de monitor.
Heterossexuais x Homossexuais. Classe
Média/Alta x Classe Baixa. Politicamente Correto x Politicamente Incorreto.
Feminismo x Machismo (ou qualquer outro pensamento que não seja o Feminismo).
São muitos os Fla – Flus do cotidiano.
E a arma principal para estas
guerrilhas está na intolerância, na falta de conhecimento do assunto, na
arrogância desmedida de quem sente a necessidade de falar, não importa o quê.
Vivemos em tempos de informação acelerada. E, por esta razão, todo tema que
ganha notoriedade em redes sociais (mais precisamente, Facebook),
logo é debatido, esmiuçado e analisado (cof, cof...) por nós,
internautas especializados, críticos profissionais.
Sim, temos as respostas para todas as
coisas. Falamos sobre religião, aborto, liberação da maconha, pena de morte,
valores sociais, estética e mais um bilhão de assuntos. Nunca estamos errados.
Ou nos posicionamos de maneira moralista e rígida ou somos ácidos e
revolucionários, tendenciosamente inclinados para o lado incorreto da coisa.
Com o aumento de acesso à informação
veio a possibilidade de conhecer o pensamento do público-alvo. Se antigamente
os jornais impressos não possuíam um mecanismo que permitissem respostas dos
leitores em tempo hábil, hoje, isto é comum no jornalismo digital.
Era preciso
ligar ou escrever para as redações para criticar, elogiar ou simplesmente
complementar alguma matéria. Agora, tudo isso pode ser feito com um teclado, seja do
computador pessoal, do trabalho ou até mesmo de um celular.
O feedback dos
leitores passou a ser presença constante nas matérias veiculadas na internet.
E, com ele, uma enxurrada de pensamentos que, ao se deparem com a visão de
outros leitores, criou uma guerra.
As redes sociais estão repletas de
pseudo-intelectuais. Somos donos da verdade absoluta. Não importa se temos ou
não o embasamento necessário para discutir o assunto de forma clara. O que
conta é a nossa voz ser ouvida. É mostrar o quão opinativo conseguimos ser.
Nunca em uma roda de amigos, pois ser contraditório face-a-face pode nos causar
conflitos com pessoas conhecidas. Mas, quando estamos atrás do computador...
Ah! Como é bom ter o dom da palavra! Falamos sem pensar, mostrando ao mundo que
temos opiniões fortes. Quanto mais likes melhor. Se
compartilharem a nossa postagem então... Glória! E quanto aos conhecidos se não
gostarem? Tanto faz. Excluímos, bloqueamos, deixamos de seguir. A vida é mais
fácil quando levada atrás de uma máquina.
E é neste contexto que as guerras de
pensamentos se criam. Temas que deveriam ser estudados e analisados com
critério são simplesmente engolidos e vomitados em frações de segundo. Muitas
vezes, nem lemos as matérias. Basta o título, e já opinamos de pronto. Afinal,
para que ler o conteúdo se o título já fala o que houve?
A informação tem por objetivo
esclarecer. Jamais cegar. Só que hoje, estamos sendo cerceados por conta do que
pensamos. O contrário também acontece. Criticamos o pensamento alheio. Não nos
preocupamos em absorvê-lo. Se ele for contraditório ao nosso modo de ver,
apenas o refutamos.
E de pensar que ainda brigamos por
liberdade de expressão. Sequer temos o trabalho de nos expressar corretamente
(analisando, não cuspindo), de aceitar a expressão do outro.
Eu sempre entendi que a internet
potencializava as coisas. Hoje, entendo que isto, de fato, acontece. E, enquanto
a intolerância for mais presente do que a vontade de se colocar no lugar do
próximo, enquanto a verdade absoluta (este mito da humanidade) se fizer
presente em nossos comentários, sempre haverá uma nova guerra de pensamentos.
E, como em toda guerra, nunca haverá vencedores.

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