Graduado, mas não profissional...






Eu havia conseguido a minha tão almejada faculdade. Era, a partir daquele momento, um jornalista graduado. Mais do que nunca, a missão dali em diante era conseguir ingressar na área.

Já ciente da dificuldade imposta pelo mercado de trabalho, pensei nas limitadas possibilidades que, ao contrário de um leque, não se abriam para mim.

E foi logo de cara que me surpreendi. Mal iniciei a caminhada no jornalismo e já estava assustado com a força de determinadas tendências e costumes.

O que defendemos ao aceitarmos um emprego? O nosso salário? A nossa empresa? Os nossos conceitos? Os nossos preconceitos?

Não foi preciso muito tempo para perceber a maquiagem grosseira que precisamos (precisamos?) carregar para sobreviver no cotidiano profissional. Estudamos ética, conduta e outros fatores que vão desde a formação de caráter até os macetes profissionais. Saímos da graduação crentes que possuímos o mínimo necessário para exercer a função. E na verdade, não saímos.

Estamos sendo, dia-a-dia, envolvidos pela ideologia insana do mau jornalismo. Aceitamos a liberdade de empresa. Abraçamos o imediatismo. Nos corrompemos a cada selfie durante o expediente. Colocamos os nossos nomes em um altar, pois o ego é um câncer desta profissão. Entramos no fluxo quase que irremediável do “mais do mesmo”. Deveríamos mudar a história de quem conta as histórias, mas, não acrescentamos nada a quem lê, ouve e/ou assiste aos fatos.

Nem começamos e já estacionamos. Como? Não esclarecemos absolutamente nada ao público. Não vamos a campo. Não fazemos matéria longe das redações. Não respondemos as perguntas tão essenciais do cotidiano.

A vontade que tanto me aflige de sair às ruas e devorar histórias não me deixa aceitar a acomodação do atual fazer jornalístico. Como mudar? Ainda não sei. Mas temos que mudar.

O jornalismo de mesa, feito por nós, jovens engomadinhos, está acabando com esta tão importante e necessária profissão. Devemos, ao menos, começar a nos questionar sobre o futuro que estamos “ajudando” a criar.

Um dia, quem sabe, tenhamos a capacidade de vivenciar o verdadeiro intuito deste segmento. Por hora, necessitamos analisar os nossos passos.

Comentários

Mariana Lima disse…
Eu adorei suas crônicas... Pretende escrever mais em 2016?
Rafael Correia disse…
Obrigado. Pretendo recomeçar sim. Ideias não faltam.
Unknown disse…
Olá Rafael. Gostei muito do seu Blog!! Sou estudante de jornalismo da PUC-Rio e estou com um trabalho acadêmico e gostaria de saber se posso entrar em contato com você de alguma forma. Meu email é iackregina@gmail.com e meu facebook é Regina Iack.
Aguardo um retorno. Obrigada, e parabéns!!
Rafael Correia disse…
Primeiramente, obrigado pela visita. O blog é um espaço que fiz para colocar alguns textos. Infelizmente, não estou conseguindo dar a sequência que almejo para ele.
Pode entrar em contato comigo tranquilamente. Fico no aguardo.

Postagens mais visitadas deste blog

Politicamente correto

Aquele abraço...

Um pensamento qualquer sobre a insatisfação profissional