Graduado, mas não profissional...

Eu havia
conseguido a minha tão almejada faculdade. Era, a partir daquele momento, um
jornalista graduado. Mais do que nunca, a missão dali em diante era conseguir
ingressar na área.
Já ciente da
dificuldade imposta pelo mercado de trabalho, pensei nas limitadas
possibilidades que, ao contrário de um leque, não se abriam para mim.
E foi logo de
cara que me surpreendi. Mal iniciei a caminhada no jornalismo e já estava
assustado com a força de determinadas tendências e costumes.
Não foi preciso
muito tempo para perceber a maquiagem grosseira que precisamos (precisamos?) carregar
para sobreviver no cotidiano profissional. Estudamos ética, conduta e outros fatores
que vão desde a formação de caráter até os macetes profissionais. Saímos da
graduação crentes que possuímos o mínimo necessário para exercer a função. E na
verdade, não saímos.
Estamos sendo,
dia-a-dia, envolvidos pela ideologia insana do mau jornalismo. Aceitamos a
liberdade de empresa. Abraçamos o imediatismo. Nos corrompemos a cada selfie durante o expediente. Colocamos
os nossos nomes em um altar, pois o ego é um câncer desta profissão. Entramos
no fluxo quase que irremediável do “mais do mesmo”. Deveríamos mudar a história
de quem conta as histórias, mas, não acrescentamos nada a quem lê, ouve e/ou
assiste aos fatos.
Nem começamos e
já estacionamos. Como? Não esclarecemos absolutamente nada ao público. Não
vamos a campo. Não fazemos matéria longe das redações. Não respondemos as
perguntas tão essenciais do cotidiano.
A vontade que
tanto me aflige de sair às ruas e devorar histórias não me deixa aceitar a
acomodação do atual fazer jornalístico. Como mudar? Ainda não sei. Mas temos
que mudar.
O jornalismo de
mesa, feito por nós, jovens engomadinhos, está acabando com esta tão importante
e necessária profissão. Devemos, ao menos, começar a nos questionar sobre o
futuro que estamos “ajudando” a criar.
Um dia, quem
sabe, tenhamos a capacidade de vivenciar o verdadeiro intuito deste segmento.
Por hora, necessitamos analisar os nossos passos.
Comentários
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