Visão periférica





A vida nos ensina, dia a dia, que os acontecimentos sempre têm um porquê. Mas, nem sempre – ou melhor, quase nunca - estamos aptos a entender o significado das coisas de forma rápida e natural. Essa situação tão humana e tão recorrente pode se dar pela falta de visão periférica dos fatos.

A visão periférica é a capacidade de enxergarmos mais do que os nossos olhos alcançam em dado momento. Ela nos permite contextualizar o cenário, entender como cada peça se encaixa nesse quebra-cabeça chamado vida. E, claro, falo de uma forma literal, metafórica, no alto do meu minúsculo entendimento psicológico das coisas.

Hoje, nem sempre sou capaz de entender o que está acontecendo ao meu redor. Mas isso pode ser a coisa mais natural do mundo, haja vista que, possivelmente, eu ainda não possuo a vivência necessária para equacionar os fatos e chegar a um raciocínio lógico que me auxilie a resolver as questões do cotidiano.

Olhar apenas para o agora, para o cenário à frente, é pouco. É preciso exercitarmos a capacidade de nos desprendermos da visão natural humana, nos colocando acima da situação, deixando de ser nós mesmos para que possamos pensar fora da caixinha, vermos de longe, com a tal visão periférica. Assim, pode se tornar possível aceitar certos fatos, antecipar passos, calar, quando preciso.

Por que estou me apegando nesse assunto após dois anos de silêncio literário? Simples... Hoje estou procurando exercitar a minha visão periférica, pois, se não fosse ela, não conseguiria aceitar certos impasses da vida.

A vida tem um porquê para tudo. Só precisamos enxergar de um pouco mais longe, fora dessa visão de curto alcance chamada zona de conforto.

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