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Visão periférica

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A vida nos ensina, dia a dia, que os acontecimentos sempre têm um porquê. Mas, nem sempre – ou melhor, quase nunca - estamos aptos a entender o significado das coisas de forma rápida e natural. Essa situação tão humana e tão recorrente pode se dar pela falta de visão periférica dos fatos. A visão periférica é a capacidade de enxergarmos mais do que os nossos olhos alcançam em dado momento. Ela nos permite contextualizar o cenário, entender como cada peça se encaixa nesse quebra-cabeça chamado vida. E, claro, falo de uma forma literal, metafórica, no alto do meu minúsculo entendimento psicológico das coisas. Hoje, nem sempre sou capaz de entender o que está acontecendo ao meu redor. Mas isso pode ser a coisa mais natural do mundo, haja vista que, possivelmente, eu ainda não possuo a vivência necessária para equacionar os fatos e chegar a um raciocínio lógico que me auxilie a resolver as questões do cotidiano. Olhar apenas para o agora, para o cenário à fre...

A Ruth Manus estava certa

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Dia desses, a minha noiva me mandou um texto. Entre as dezenas de informações que trocamos diariamente, sempre há aquela que mais nos chama a atenção. E foi isso o que aconteceu na ocasião. ‘Quem precisa morrer para você rever a sua vida?’ , escrito por Ruth Manus, falava sobre o cotidiano de todos nós. De forma simples e objetiva, a autora descreveu as infantilidades e mesquinharias que nos fazem, cada vez mais, nos afastarmos de quem nos cerca.  Como o título já diz, o assunto tocava num dos pontos mais complexos para a humanidade: a morte. Mais precisamente, a perda de quem amamos, ou simplesmente simpatizamos, mas que por razões diversas e adversas acabamos por isolar do nosso convívio. Ao passo que lia cada linha, um filme passava em minha mente. Comecei a recobrar o que eu estava fazendo da minha vida. “Quem eram os meus desafetos?”. “Por qual razão não nos falávamos mais?”. “O que eu poderia fazer para aparar as arestas e acertar as coisas?”. “Eu queria me...

Pedido de casamento na atualidade: ato de amor, ou encenação social?

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É relativamente interessante e preocupante o quanto nos preocupamos com as encenações sociais. Eu havia decidido pedir a minha namorada em casamento. Era, até ali, uma pessoa sem grandes inquietações. A ideia de formar a minha própria família e ter ao meu lado a mulher que amava (e amo) me deixava extasiado. Após um período que eu considerava ser suficiente para nos conhecermos, enfim, decidi. Foi uma decisão complexa, que envolveu todos os poréns possíveis. Mas eu estava seguro. Era a chegada a hora de lhe propor o matrimônio. Feliz e ansioso, eu só precisa ir lá e... E? O casamento, segundo a história, era na antiguidade uma forma de unir poderes sociais e políticos, como famílias ricas que tinham interesses em comum. A união das pessoas era mera formalidade imposta e fria.  Num segundo momento, o matrimônio passou a ser condicional às regras da Igreja, conforme ditava o Decreto de Graciano, em 1140. O documento citava que o casamento só poderia ser realizado...

Graduado, mas não profissional...

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Eu havia conseguido a minha tão almejada faculdade. Era, a partir daquele momento, um jornalista graduado. Mais do que nunca, a missão dali em diante era conseguir ingressar na área. Já ciente da dificuldade imposta pelo mercado de trabalho, pensei nas limitadas possibilidades que, ao contrário de um leque, não se abriam para mim. E foi logo de cara que me surpreendi. Mal iniciei a caminhada no jornalismo e já estava assustado com a força de determinadas tendências e costumes. O que defendemos ao aceitarmos um emprego? O nosso salário? A nossa empresa? Os nossos conceitos? Os nossos preconceitos? Não foi preciso muito tempo para perceber a maquiagem grosseira que precisamos (precisamos?) carregar para sobreviver no cotidiano profissional. Estudamos ética, conduta e outros fatores que vão desde a formação de caráter até os macetes profissionais. Saímos da graduação crentes que possuímos o mínimo necessário para exercer a função. E na verdad...

Guerra de pensamentos

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A sociedade está em guerra. Batalhas ferrenhas são travadas todos os dias. Mas, ao contrário de épocas distantes, os entraves atuais acontecem digitalmente, por nós, pessoas comuns blindadas por escudos em formato de monitor. Heterossexuais x Homossexuais. Classe Média/Alta x Classe Baixa. Politicamente Correto x Politicamente Incorreto. Feminismo x Machismo (ou qualquer outro pensamento que não seja o Feminismo). São muitos os Fla – Flus do cotidiano. E a arma principal para estas guerrilhas está na intolerância, na falta de conhecimento do assunto, na arrogância desmedida de quem sente a necessidade de falar, não importa o quê. Vivemos em tempos de informação acelerada. E, por esta razão, todo tema que ganha notoriedade em redes sociais (mais precisamente,  Facebook ), logo é debatido, esmiuçado e analisado ( cof, cof...)  por nós, internautas especializados, críticos profissionais. Sim, temos as respostas para todas as coisas. Falamos sobre relig...

Aquele abraço...

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Eu não me lembro exatamente qual  foi o primeiro que me marcou. Tenho a lembrança do meu pai apontando na esquina de casa ao voltar do trabalho. A corrida simples de uma criança, o pulo no colo, e o abraço apertado com sorriso de você chegou. O motivo para essa cena quase rotineira é que no início dos anos 90 morávamos na Zona Leste paulistana. Já nessa época, eu ouvia as notícias dos pais que saíam para trabalhar, mas que jamais voltavam para casa por conta da criminalidade. Os homens que assaltavam me assustavam. O abraço que na minha imensa força de um pivete de meio metro (não cresci muito desde então) deveria ser esmagador, na verdade não passava de um afago para o meu pai. E era nesse ato que eu encontrava a forma correta de mostrar que ele era importante pra mim. Não cresci distribuindo abraços. Eles foram se tornando escassos. O contato corporal nunca foi o meu forte para demonstrar afetividade. Um simples aceno de cabeça era o suficiente para cumprimen...

Por detrás das grades

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Ele estava sem camisa, sentado e olhando sem expressão alguma para o lado de fora. Talvez estivesse relembrando o tempo em que podia observar o mundo sem ter pela frente aquelas barras de ferro que o cercava. Mas era ali que ele estava naquele momento, e sabe-se lá por quantos anos já estava naquela situação... Sabe-se lá por mais quanto tempo a sua vida seria assim. A possibilidade de morrer ali não era descartada. Nem poderia, afinal, nem mesmo o melhor advogado poderia tirá-lo daquele lugar. Era uma sentença que ele pagava por um crime que não aceitava apelação. As visitas eram raras. Provavelmente, visitá-lo significava uma tarefa a mais, e quem hoje em dia tem tempo para tantos afazeres? A vigilância que sofria era rígida, mas vinha com educação e respeito. O seu bom comportamento facilitava as coisas. Se não fosse assim, nada de banho de sol, nada de quaisquer regalias. Era a lei do local. Lei... Ah, a lei... A mesma que sem perceber ele seguiu. E por se...